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Alice teve seu nome escolhido numa madrugada chuvosa a caminho da maternidade, no meu desespero minha filha só melhoraria quando nomeada e assim foi
um nome escolhido pela irmã, um nome delicado e limpo como era seu corpinho separado de mim por tantos fios e incubadora
e quando fui me deitar pedi que por favor colocasse o nome na placa porque ela não era mais Daniela
ela era Alice agora
fora de mim e tão cheia de tudo o que eu acredito
ao chegar em casa foi recebida por gatos desconfiados e curiosos que a aceitaram e se esfregaram nos seus pezinhos para que ela fosse uma de nós
velaram seu sono de cima do berço correndo pra me mostrar quando ela chorava e hoje ficar andando em volta da cadeirinha tentando pegar seus braços que se agitam pra tv os pés que dançam ao me ver passar
ela é linda
é adorável como Marilia era nessa idade e me olha com tanto amor e sorri pra todo mundo na rua sabendo que é tão bem vinda
imensamente bem vinda
eu nunca quis muito da vida, na verdade eu nunca quis o que não coubesse na minha casa, nos meus braços
todo amor vivido e tudo passado foi um caminho pra vida com minhas duas filhas que nesse momento dormem juntas no quarto aqui ao lado
poucos minutos desligo tudo e me deito satisfeita e completa, me sentindo uma mulher completa
uma pessoa feliz
Alice combina com as canções do Vinicius de Moraes e merece ser despertada por passarinhos, todos os beijinhos do mundo são direcionados pra sua barriguinha e as flores vão abrir espaço quando ela começar a andar.
Soletrada yet
"Por afrontamento do desejo insisto na maldade de escrever"
27/02/2012
23/02/2011
“ and the love, whatever it was, an infection.”
Anne Sexton
no que me diz respeito certas manifestações do amor causam um tipo de febre, de retorno ao corpo por inteiro
sei que no momento em que sinto a infecção por completo meus olhos mudam de cor e os cabelos assumem uma harmonia de bruxa, a beleza absurda se apodera de mim
sei que se trata de possessão mas o espírito que me toma é o meu que no normal se manifesta quebrado e medíocre
Anne Sexton
no que me diz respeito certas manifestações do amor causam um tipo de febre, de retorno ao corpo por inteiro
sei que no momento em que sinto a infecção por completo meus olhos mudam de cor e os cabelos assumem uma harmonia de bruxa, a beleza absurda se apodera de mim
sei que se trata de possessão mas o espírito que me toma é o meu que no normal se manifesta quebrado e medíocre
15/02/2011
03/02/2011
substância
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acredito que como eu algumas pessoas são abertas para possessão para que outras inoculem na voz um veneno/antídoto que desça certeiro e se dilua no sangue
e tem algo no olhar dessas pessoas que clareia todo o ambiente e se vê como nunca antes as cores e todas as formas em sua torta perfeição
fui tocada e invadida
abri não somente meu coração mas o corpo todo tinha a substância alheia correndo me fazendo compania pela rua e em todos os lugares
e quando meu cabelo crescia tinha a força da outra pessoa forçando o couro cabeludo e colorindo cada fio
pincelando de branco, arrepiando pontas
tudo em mim é sentimento de perda e ausência
e quando os olhos não encontram mais o poder de enxergar diminui e o sangue corre ralo pelas veias
não se diz tristeza nem qualquer outra coisa, é o corpo também se adaptando e sofrendo regenerando e sofrendo
cada coisa que não disse dorme como chumbo no meu maxilar que trava e dói sem parar e no seu sono as palavras perdem a força e a vontade de voarem aflitas
tudo muda e eu não sou dada a mudanças eu tenho sincero pavor em dizer adeus e rearranjar as coisas mas não tem como fugir ou enfeitar mais
depois de um certo tempo os sentimentos são intranscritíveis e sem nenhum charme
eles são algo sólido que pesa e curva as costas que cansa os ombros e enchem as pernas de estrias
não são tristes só que quando se acumulam num só espaço desequilibram todo o ser
com a idade perde-se o jeito blasé e a capacidade de sair impune
toda escolha todo desejo toda indecisão e instinto têm um preço e ele sempre é alto para quem tem tão pouco
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acredito que como eu algumas pessoas são abertas para possessão para que outras inoculem na voz um veneno/antídoto que desça certeiro e se dilua no sangue
e tem algo no olhar dessas pessoas que clareia todo o ambiente e se vê como nunca antes as cores e todas as formas em sua torta perfeição
fui tocada e invadida
abri não somente meu coração mas o corpo todo tinha a substância alheia correndo me fazendo compania pela rua e em todos os lugares
e quando meu cabelo crescia tinha a força da outra pessoa forçando o couro cabeludo e colorindo cada fio
pincelando de branco, arrepiando pontas
tudo em mim é sentimento de perda e ausência
e quando os olhos não encontram mais o poder de enxergar diminui e o sangue corre ralo pelas veias
não se diz tristeza nem qualquer outra coisa, é o corpo também se adaptando e sofrendo regenerando e sofrendo
cada coisa que não disse dorme como chumbo no meu maxilar que trava e dói sem parar e no seu sono as palavras perdem a força e a vontade de voarem aflitas
tudo muda e eu não sou dada a mudanças eu tenho sincero pavor em dizer adeus e rearranjar as coisas mas não tem como fugir ou enfeitar mais
depois de um certo tempo os sentimentos são intranscritíveis e sem nenhum charme
eles são algo sólido que pesa e curva as costas que cansa os ombros e enchem as pernas de estrias
não são tristes só que quando se acumulam num só espaço desequilibram todo o ser
com a idade perde-se o jeito blasé e a capacidade de sair impune
toda escolha todo desejo toda indecisão e instinto têm um preço e ele sempre é alto para quem tem tão pouco
31/01/2011
Violins
e depois de tantos anos e uma semana que estendeu em meses dentro de casa finalmente pude ver o show da banda que é responsável pelos melhores e piores momentos da minha vida
tenho toda história marcada por canções e uma do começo ao fim por violins
cada música de amor e raiva é minha é para outra pessoa que hoje não existe mais só mesmo assim foi encarnada no ibirapuera e ficou pairando sobre as pessoas como assombração (também satisfeita)
além disso, do que as canções trouxeram de volta veio a emoção mais pura, eu mal conseguiam me mexer e quando o fazia eram espasmos ou me agarrando nas pernas do guilherme (que foi e é a melhor compania do mundo para quando me descontrolo)
ver a banda ali, tão perto e as canções me chegando diretamente como se eu estivesse no mar com o peito aberto a toda onde que se quebra me arrasta então me levanto e imponho novamente o corpo, não como afrontamento ou teste de força só pra sentir a pancada como um batimento cardíaco avulso e tão violento
não tive coragem de ficar um minuto além no mesmo espaço, fui e sou incapaz de trocar um olá com a banda porque o que eu realmente admiro neles e o que me comove é a alquimia de todos juntos e o que ele destilam
nunca fui tão feliz em noventa minutos e sei que dificilmente serei novamente porque esse foi o primeiro show que fui na vida. o primeiro de verdade porque a cida moreira não conta, tou em casa com ela
ainda estou com todas as músicas na cabeça e no final fizeram uma versão nervosa de 'ok ok' que traduz exatamente tudo o que sinto
e quando tocou manicômio eu achei que ia morrer, eu achei que seria o momento (finalmente) que chão se abriria e eu cairia sem fim (duração exata da canção) me agarrei nas poltronas e em tudo mais
eu fique tão emocionada eu senti tanta coisa que nem sei explicar e nem sabia que era capaz de tanto
sai de lá como que de uma viagem linda, todas as imagens congeladas na retina e todo corpo formigando
ainda carrego a tranquilidade, pode-se chamar de paz
27/01/2011
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