on 20/01/2011
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existem coisas que doem e não são aliviadas pelo ato de chorar, que na verdade não expressam nada só vazam um tipo de fraqueza
porém eu daria um dedo, certamente o mais ofensivo para sentir algum alívio
todo meu corpo é uma massa em decomposição, não sinto nada além de incomodo no peito
tremo as vezes
e não entendo o que estão falando comigo
se é calor eu noto porque a roupa está molhada e no frio me pego encolhida num pano
não tenho como falar do que realmente incomoda, dar um nome ou dimensão
tem um tumor crescendo e comendo o coração, avolumando o peito e me deixando desproporcional
eu não fiz nenhuma escolha eu não aceitei nenhuma solução porque o que está quebrado está quebrado
não só da parte alheia (não tão alheia) mas aqui em mim
queria ser o tipo de garota nervosa que sente toda razão do mundo na barriga e começa a viver uma nova coisa e xinga e odeia ou qualquer coisa que nem imagino
mas eu sou um tipo desprovido de soluções
se as coisas acontecem eu deixo acontecer porque me é impossível levantar e tomar uma atitude defensiva e se eu escrevo eu converso com minha melhor parte que é aquela que lê somente e aceita o que os dedos pingam
não tenho muito o que falar
tenho um sentimento horrível e nada me consola
nenhuma expectativa me move, nenhuma graça me faz contente
uma coisa se partiu e eu tenho também muita vontade de nunca mais falar de mim de nunca mais dar moradia só que eu sei que isso sempre vai me acontecer
porque pelo lado ruim eu sinto muito mas pelo lado bom eu sinto mais ainda

tento achar uma canção um livro ou rua que me de alegria
mas acho que o correto é manter o silêncio e me manter sozinha pra que passe
que passe
uma vez demorou muito, e eu não quero passar por tudo de novo

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